Pandemia muda prioridades de conselhos de empresas, aponta pesquisa

Resultado das companhias deixou de ser prioridade e deu lugar ao gerenciamento de riscos nas discussões dos conselhos.

Cidade de SP/Agência BrasilResultado das companhias deixou de ser prioridade. (Foto: Agência Brasil)

Gerenciamento de riscos, inovação e disrupção; critérios ambientais, sociais e de governança (ESG); transformação digital e novas tecnologias; planejamento estratégico de longo prazo e alocação de capital; e resultado, performance e metas econômico-financeira. Esses são os temas que devem nortear as discussões nas reuniões dos Conselhos de Administração das empresas este ano, de acordo com pesquisa do EY Center for Board Matters, área da consultoria da EY dedicada a apoiar conselhos e comitês. 

O estudo, realizado entre o fim de 2020 e o início de 2021 no Brasil, na Argentina e no Chile, mostra que para mais de 95% dos entrevistados a pandemia de Covid-19 impactou a dinâmica das reuniões do conselho e 51% deles acreditam que foram demandadas novas habilidades e competências dos membros em função dos acontecimentos. 

Em um cenário de incertezas e mudanças bruscas de direção, temas como gerenciamento de riscos e inovação passaram a ficar à frente de questões como os resultados das companhias nas discussões dos conselhos. 

“É importante observar que os conselheiros continuam a ser exigidos em relação a novas competências e atribuições, no sentido de direcionar maiores esforços às demandas e realidades que cercam suas respectivas empresas. A diferença é que agora, em decorrência da pandemia, tudo isso se intensificou e ficou mais evidente, o que requer ainda mais atenção por parte do colegiado”, explica Carolina Queiroz, coordenadora do estudo e diretora executiva de Family Business da EY no Brasil e América Latina. 

Gerenciamento de riscos 

Segurança cibernética é o foco da pauta de resposta a riscos das organizações. Desde o início do alastramento da Covid-19 pelo mundo, o número de ataques cibernéticos aumentou consideravelmente, tanto em quantidade quanto em seriedade. Em muitos setores e localidades, empresas já não pensam mais “se um ataque acontecerá”, e sim “quando acontecerá”, preparando-se fortemente não apenas para minimizar a possibilidade de um ataque, mas também para responder com rapidez e rigidez.  

Inovação e disrupção 

A inovação é a segunda prioridade mencionada por 49% dos respondentes da Argentina, do Brasil e do Chile. Deixou de ser uma alternativa e passou a ser imperativa para as empresas.  

ESG 

Em relação aos critérios ESG (ambientais, sociais e de governança), o tema já estava presente na pauta das reuniões dos conselhos antes da crise (82% das respostas), sendo os aspectos ambientais e de governança os mais frequentes – 35% e 30%, respectivamente. 

O levantamento aponta que um conceito fundamental para compreender a organização do ponto de vista dos critérios ESG é a materialidade, ou seja, a capacidade da organização de incorporar a visão de seus stakeholders. 

Transformação digital e novas tecnologias 

Converter a virtualidade em modelo de trabalho e vínculo social foi o desafio enfrentado e resolvido com agilidade pelas empresas e pela sociedade em geral, em 2020. Manter todos conectados gerou novos riscos que tiveram de ser avaliados e incluídos pelos conselhos no mapa de riscos. Cerca de 39% dos entrevistados afirmaram que revisam tópicos relacionados a ameaças cibernéticas trimestralmente e 32% indicaram que revisam sempre que necessário. 

As organizações agora estão repensando sua alocação de capital. Os novos modelos de adoção de tecnologias digitais pressupõem novas formas de investir para a transformação. 

Planejamento estratégico 

Para alguns setores, a reorganização da estratégia e do modelo operacional demorou mais, tanto que 35% dos pesquisados ??classificaram o planejamento estratégico na quinta posição de importância na pauta dos conselhos este ano. 

Resultado e metas 

Segundo o levantamento, 27% dos conselheiros da região confirmaram que passaram grande parte de 2020 revisando as necessidades de liquidez, estabilidade financeira, solidez da cadeia de suprimentos e flexibilidade do modelo operacional. As projeções e a evolução dos negócios foram montadas em vários cenários e incluindo planos de contingência. 

De acordo com o estudo da EY, as empresas devem estar preparadas para diversos cena´rios e para a constante mudanc¸a de metas. “Os membros do conselho de administrac¸a~o devem exigir dos administradores planos de continge^ncia, testes de estresse, simulac¸a~o de cena´rios, fortalecimento das relac¸o~es com fornecedores, clientes e credores, assim como a criac¸a~o de um modelo de operac¸a~o flexi´vel. A criatividade sera´ fundamental”. 

(Fonte: Agência EY)