Adolescentes terão imunização ampliada contra meningite na rede pública

Vacina contra quatro sorogrupos da meningite meningocócica (A, C, W e Y) entra no calendário da Campanha Nacional de Multivacinação, que vai até o fim do mês.

movimentacao_de_idosos_no_posto_da_612_sul_para_vacinacao_contra_influenza2403209966 Imunização ampliada contra meningite. (Foto: Agência Brasil)

A Campanha Nacional de Multivacinação, que vai até o fim de outubro, traz uma novidade para este ano. Pela primeira vez, adolescentes de 11 e 12 anos que forem até os postos de atendimento da rede pública receberão a vacina contra quatro sorogrupos da meningite meningocócica: A, C, W e Y.  A incorporação foi aprovada no início deste mês pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) com o objetivo de ampliar a proteção contra novos surtos mesmo em sorogrupos menos comuns.  Até o ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizava apenas imunização contra o tipo C, responsável por cerca de 80% dos casos no Brasil, com doses distribuídas entre os 3 meses e os 14 anos de idade. “Nunca sabemos quando um novo surto pode acontecer. No Brasil, já tivemos surtos dos tipos A, B e C. Nos últimos, temos observado um crescimento dos casos do tipo W, principalmente na região Sul. É importante ampliar a cobertura desde já”, explica Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).  

A meningite meningocócica provoca inflamação na meninge – membrana que recobre o cérebro e a medula espinhal – e possui uma letalidade elevada (entre 10% e 20% dos casos), sendo que 25% dos sobreviventes desenvolvem sequelas de longo prazo. Podendo ser causada por bactérias, fungos ou vírus, a doença possui maior gravidade quando originada pelo grupo de bactérias chamado Neisseria meningitidis (ou meningococos). Neste caso, as principais vítimas são crianças de até três anos. Porém, são os adolescentes o grupo de maior risco de contágio, uma vez que a maioria dos portadores da bactéria nessa faixa etária são assintomáticos, o que facilita a transmissão.  

A ampliação da vacina contra o tipo C já ajudou a diminuir em mais da metade os casos de meningite meningocócica no Brasil. Até 2010, quando a vacina foi incorporada pelo SUS, cerca de três mil pessoas eram acometidas pela doença todos os anos, a maioria crianças. Já em 2019, foram registrados pouco mais de 1 mil casos, segundo o Ministério da Saúde. “Vacinar os adolescentes é a melhor forma de adquirir a imunidade de rebanho e evitar novos surtos.  Eles acabam transmitindo a bactéria sem ter ideia de que são portadores”, afirma. Juarez Cunha 

Meningite meningocócica 

O que é?  Inflamação da membrana que recobre o cérebro e a medula espinhal (meninge). Também pode ser causada por vírus e fungos, mas a versão provocada pelas bactérias Neisseria meningitidis, ou meningococos, são as mais graves, especialmente em crianças de até três anos. Essa versão é encontrada em 12 tipos, sendo os tipos A, B, C, W e Y os mais comuns. Já os idosos são mais suscetíveis às meningites causadas pelas bactérias Streptococcus, ou pneumococos. 

Sintomas. Desenvolvem-se rapidamente e podem levar à morte em até 48 horas. Na maioria dos casos, os pacientes começam apresentando febre, seguida de vômito e dores na nuca.  Os sobreviventes podem sofrer sequelas como surdez, alterações cerebrais e amputações. 

Vacinas disponíveis. Contra o tipo C, a vacina é disponibilizada pelo SUS em quatro doses: aos 3, 5 e 12 meses, e depois aos 5 ou 6 anos. Já os adolescentes entre 11 e 12 anos têm agora disponível a vacina conjugada ACWY, contra quatro sorogrupos da bactéria.  

(Fonte: Agência Einstein)